Pescadores constroem rampa para barcos em busca de belas paisagens, esporte e até - dinossauros -
É comum que muitos ouçam falar sobre as ‘histórias de pescador’, que tem como uma das essências populares a fama de exagero. Mas, foi justamente o sonho ambicioso de um deles que motivou a mobilização de centenas de voluntários para a construção de um acesso público, sustentável e consciente para quem gosta de praticar a pesca no Rio Dourados.
“A ideia surgiu a partir do nosso amigo ‘Xavier’, conhecido como ‘Véio do Rio’, que infelizmente faleceu há pouco tempo. Ele sempre defendia um acesso organizado e consciente ao Rio. Após sua partida, os amigos decidiram dar continuidade ao sonho, como forma de homenagem e também de cuidado com o Rio Dourados”, explica Flavio Henrique Pereira, fotógrafo profissional, um dos voluntários a organizar a iniciativa, se referindo ao amigo João Carlos Xavier.
O grupo tem 500 pessoas, é composto majoritariamente de pescadores, mas também por amigos e apoiadores da causa ambiental. “A mobilização aconteceu de forma natural, pelo boca a boca, redes sociais e pela vontade comum de preservar o Rio e melhorar o acesso”, complementa Flavio.

Os voluntários constroem juntos desde de dezembro uma rampa náutica, que é um descedor com estrutura resistente para acesso ao Rio com uso de barcos às margens da BR-163, entre Dourados e Caarapó. Eles também revitalizam o entorno com plantio de árvores.
O trabalho é feito aos poucos e não tem data para acabar, já que é feito conforme a disponibilidade dos integrantes do grupo, especialmente porque rende horas de dedicação, respeitando o tempo e a condição de cada participante. “A conclusão depende do andamento das etapas, da ajuda dos voluntários e dos recursos disponíveis, mas o objetivo é finalizar o quanto antes, com segurança e qualidade”, explica o fotógrafo.
Os recursos para aquisição de materiais foram arrecadados por meio de um rateio no valor de R$ 70 por voluntário, além de doações de empresas. A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) também colaborou com suporte técnico para que houvesse segurança, respeito às normas e uso responsável do espaço público, além de maquinários para cavar a rampa e abrir a estrada.
“Hoje, sem a rampa, os pescadores enfrentam custos muito altos, pois muitos precisam pagar para descer as embarcações em locais privados, o que encarece bastante a pesca. Além disso, há o desgaste físico e estrutural em pontos onde não existe acesso adequado, gerando dificuldade para descer e retirar barcos, risco de acidentes e impactos nas margens do Rio”, explica Flávio.
A rampa deve tornar o acesso ao Rio mais fácil e seguro, colaborando para preservação do entorno. “O grupo seguirá com ações contínuas de preservação, como limpeza das margens do Rio, plantio de mudas nativas e outras iniciativas ambientais, ações que já vêm sendo realizadas pelos voluntários e que serão fortalecidas com a estrutura da rampa”, complementa o pescador.
Rio Dourados
Conhecido pelas belas paisagens e diversidade de peixes que fomentam o turismo de pesca, o Rio Dourados só tem movimento menor no inverno e na Piracema, período de reprodução das espécies. Nas demais épocas do ano, as embarcações cobrem o Rio de pescadores profissionais e amadores.
A qualidade da pescaria na região chama a atenção dos amantes dessa atividade, já que abriga peixes de grande porte conhecidos como “Dinossauros do Rio”, como é o caso do Pintado, além dos que exigem técnica, força e respeito, como o Dourado.
Uma riqueza natural que faz do Rio, com o mesmo nome da maior cidade do interior do Estado, um espaço de tradição na pesca.